na estrada dos meus sentidos,
tudo que trago são impressões
sobre o que deixei de ser
e se abro os meus braços sinto frio,
porque já não me alcanço
forasteira de mim mesma
presumo meus mapas,
prevejo meus desertos
só o que cativa meu espírito
é a perseverança de um átomo
o movimento,
o vento, o tempo, o temporal
o acaso
não se esqueça,
que o verso
é só
todo sorriso é despedida
todo aceno é adeus
e toda paixão é oásis de tolo
tempestade que mata a sede
e passa
não se esqueça que demarcar é tentar definir
e marcar é sentir o que não se define
então, reconheça suas marcas
não suas fronteiras
não busque a falsa segurança
daquilo que te limita
a convicção é só aquilo que te segura
e a dúvida tudo aquilo que te move
desate os nós
liberte os eus
que teu codinome seja amor,
mas teu nome, verdade
que tua maior virtude seja crer,
mas que teu maior defeito seja duvidar
dual vida
dúvida
e não se esquece que existe
também a dor
que tua respiração seja um ideograma
entre dor e alívio
inspira a dor
expira são
inspira são
e expira a dor
sente,
pois o vento, o sol, a noite
escrevem na tua pele
o antigo alfabeto dos sentidos
tudo vibra,
tudo é
e que a solidão seja teu refúgio
e o silêncio tua oração
sente,
pois bem ditas são as palavras que calam
21 de dezembro de 2013 (03:21)
