sábado, 21 de dezembro de 2013

sensação de viagem - dúvida, acaso e movimento




na estrada dos meus sentidos,
tudo que trago são impressões

sobre o que deixei de ser

e se abro os meus braços sinto frio,
porque já não me alcanço

forasteira de mim mesma

presumo meus mapas,
prevejo meus desertos

só o que cativa meu espírito
é a perseverança de um átomo

o movimento, 

o vento, o tempo, o temporal 

o acaso 


não se esqueça,
que o verso
é só

todo sorriso é despedida

todo aceno é adeus

e toda paixão é oásis de tolo

tempestade que mata a sede
e passa

não se esqueça que demarcar é tentar definir

e marcar é sentir o que não se define

então, reconheça suas marcas
não suas fronteiras

não busque a falsa segurança 
daquilo que te limita

a convicção é só aquilo que te segura

e a dúvida tudo aquilo que te move


desate os nós
liberte os eus

que teu codinome seja amor,
mas teu nome, verdade

que tua maior virtude seja crer,
mas que teu maior defeito seja duvidar

dual vida
dúvida

e não se esquece que existe
também a dor

que tua respiração seja um ideograma
entre dor e alívio

inspira a dor
expira são
inspira são
e expira a dor


sente,
pois o vento, o sol, a noite
escrevem na tua pele
o antigo alfabeto dos sentidos

tudo vibra,
tudo é


e que a solidão seja teu refúgio
e o silêncio tua oração

sente,
pois bem ditas são as palavras que calam


21 de dezembro de 2013 (03:21)